Academia Dojo-kan de Karate-Do

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As três coisas - por Sensei André Laskoski

Três coisas peço à vida:
Coragem de mudar o que pode ser mudado;
Humildade de aceitar o que não pode ser mudado;
Inteligência para distinguir uma coisa da outra.

Atualmente, é notável o crescimento de espaços dedicados à prática das Artes Marciais para crianças e adolescentes. Muitos pais procuram nossa escola de Karate para matricular seus filhos com idades a partir de três ou quatro anos de idade. Dentro de uma consciência pedagógica sempre orientamos no sentido contrário. O Karate-do, assim como as demais Artes Marciais, é basicamente constituído de regras, conduta, responsabilidade, etiqueta, controle pessoal e etc. Em uma comparação grosseira, imaginemos uma criança jogando futebol com seus amiguinhos, seu objetivo é fazer o gol, para isso deverá chutar a bola, este é o objetivo do futebol, que em nosso país faz parte da cultura em todas as classes sociais. Porém, se esta mesma criança estiver praticando Artes Marciais ela chuta o quê? Qual o “gol” a ser marcado? É importante refletir sobre isso, pois sim, nas Artes Marciais as crianças vão aprender uma atividade que envolve “luta”, seja na prática ou em teoria, por isso a importância da não precocidade, pois para que os pequenos possam aproveitar os benefícios propostos é necessário que tenham a capacidade de compreensão de regras, e as Artes Marciais são compostas basicamente disto - regras, de outra forma seriam inviáveis a qualquer ser humano. A criança por volta dos seis anos, mais ou menos, começa a entender melhor o mundo que a cerca e a interagir com as regras que comandam esse mundo, então, a partir deste momento pode-se iniciar um trabalho lúdico de iniciação às Artes Marciais.
Notem que a palavra “LÚDICO”, não significa desvirtuar a essência Marcial, mas sim comunicar-se com a criança em sua linguagem natural. Segundo diz o Aurélio - Lúdico é relativo a jogos, brinquedos e divertimentos – e assim, brincando, jogando e divertindo-se a criança se desenvolve e também aprende as regras básicas das Artes Marciais (conduta, disciplina e etc.).
Nem todo doce é bom, assim como nem toda a escola também é, da mesma forma refletimos sobre as Artes Marciais. Não somente pelo ponto de vista físico, mas também educativo, convido pais, educadores e profissionais envolvidos no ensino das artes marciais a fazerem algumas reflexões em relação ao que as práticas Marciais realmente transmitem. Será que competições de lutas (por exemplo) ensinam de verdade a disciplina, o respeito às regras e orientam as crianças a serem críticas ou solidárias?
As Artes Marciais são ricas e úteis ao desenvolvimento global da criança, para tal, precisamos vê-las sob um conceito didático – pedagógico e com perspectivas educacionais. Vejamos: Os pais (principalmente) ficam encantados de ver seus filhos receberem medalhas e orgulham-se em saber que suas crianças sabem "se defender". Mas defender do quê? Contra quem? Em favor de quem? Onde? Com que meios? Minha sugestão é que busquem informações, participem e observem as propostas oferecidas pela instituição em que seu filho freqüenta as aulas. Para um bom começo, o ensino das artes marciais, primeiramente, deve ser adaptado ao desenvolvimento, físico e psicológico, das crianças e dos adolescentes, para que possamos educar jovens capazes de pensar e agir racionalmente e com atitudes positivas diante da vida. Acredito sinceramente que as riquezas das Artes Marciais valem tanto quanto vale quem as aplica. Saudações Karatekas.

OSS!
(Notas de rodapé):
A palavra OSS! É uma abreviação da expressão “OSSUSHINOBU!” Usada entre os Japoneses que traduzido para o português significa “FIRME E TRANQUILO”, e invariavelmente é usada para expressar energia e positivismo.

André Laskoski
Publicado em 23/10/2010
Jornal Sul Brasil
Chapecó SC

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